A Secretaria Municipal de Cultura (Secult) realizou, nesta terça-feira (23), um cortejo especial dedicado ao resgate de uma tradição que atravessa gerações em Lagarto: a visita aos presépios montados nas residências de famílias que mantêm viva a devoção natalina há mais de 50 anos. A iniciativa, que integrou as ações da pasta voltadas à valorização da memória cultural e das manifestações populares do município, também fez parte da programação do Natal Encantado realizado pela gestão municipal.
O cortejo percorreu casas de lagartenses que, ao longo de décadas, preservam o costume de montar presépios durante o período do Natal. Para dar ainda mais sentido simbólico ao momento, a Secult levou a centenária Banda de Pífanos do povoado Pururuca, retomando uma prática ancestral ligada às primeiras saudações cristãs à Virgem Maria e ao Menino Jesus, tradicionalmente realizadas com pífanos e gaitas.
O folclorista da Secult, Ruan Benigno, destacou a emoção envolvida na ação. “Desde que recebemos esta pasta, um dos nossos objetivos tem sido resgatar aquelas memórias de Lagarto que já estavam esquecidas. O que fizemos hoje foi justamente isso: visitar pessoas que mantêm, há mais de cinquenta anos, a tradição dos presépios. Isso representa um reencontro com lembranças familiares que ajudam a explicar a importância simbólica da tradição. E contribuir para que o cortejo volte a ocupar as ruas e os lares do município é motivo de grande alegria pessoal, assim como para todos nós da Secult”, afirmou.
Para o secretário municipal de Cultura, Nenê Prata, a ação traduz o cuidado da gestão com a história e os símbolos culturais de Lagarto. “Resgatar tradições como essa é valorizar a fé e o sentimento de pertencimento do nosso povo, assim como aproximar a cultura das pessoas, além de reconhecer aqueles que, por tantos anos, mantiveram viva essa prática. Foi um momento de encontro entre passado e presente, com música, emoção e reconhecimento às famílias que, com dedicação e devoção, seguem contribuindo com uma das mais belas expressões culturais de Lagarto”, reconheceu.
Para Luzia Pires, a passagem do cortejo especial trouxe à memória os tempos em que a tradição era vivida com fidelidade e os lares devotos sempre mantinham seus presépios. “Foi uma emoção diferente, porque há tantos anos a gente não vê um presépio ser visitado dessa forma. A gente quase não vê mais presépio nas casas, e relembrar os tempos passados onde a tradição era seguida à risca e não faltava presépio nas casas dos devotos. nos enche de fé, esperança e de muita alegria, porque para nós que somos católicos é um momento de grande expectativa nas nossas vidas, que é a chegada do menino Jesus com muitas coisas boas, e é isso que nós esperamos”, disse.
A professora aposentada, Darticleia Almeida definiu a visita como um verdadeiro bálsamo para o seu coração. “Ver essas pessoas aqui com os olhos brilhando diante das figuras, tocando com alegria foi como lembrar da minha infância, com os meus pais e meus avós. Mais do que uma simples decoração, o presépio é uma narração silenciosa. Ele nos convida a uma pausa, a um momento de interiorização em meio à agitação do mundo. Mantê-lo aqui em casa é um ato de resistência poética. Num tempo tão acelerado, montar o presépio é um ritual que me ancora no essencial: o amor, a simplicidade, a esperança que nasce frágil, mas transformadora. Ver essa tradição, que estava sendo deixada de lado, voltar a ser celebrada aquece o nosso coração e renova a esperança por dias melhores. Sou muito grata a todos que fazem a Secretaria de Cultura por nos proporcionarem um momento tão especial e tão acolhedor”.

Foto: ASCOM