O município de Lagarto iniciou nesta semana o processo de mapeamento para aquisição de cisternas que serão doadas através da Portaria nº 3.454/2025, que prevê a seleção de beneficiários para implantação de sistemas de captação e armazenamento de água da chuva para o consumo humano da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). As cisternas serão instaladas em oito localidades do município, sendo elas: Sena, Borda da Mata, Oiteiro, Madanela, Saco Redondo, Criolo, Pindoba e Saco do Tigre. Essas localidades atendem a todos os requisitos necessários, a exemplo do não abastecimento de água.
Nesta semana, até o dia 16 de outubro, o município está dando andamento ao processo de contemplação, com o recolhimento das assinaturas da população que reside nas comunidades que serão beneficiadas. As cisternas, que têm capacidade de 16 mil litros cada, com estrutura necessária para captação e direcionamento das águas da chuva, serão de uso familiar, instaladas em propriedades privadas, beneficiando as famílias que atenderam aos requisitos e aquelas que fazem parte do grupo prioritário, sendo elas: domicílios com mulheres como chefes de família ou com pessoas com deficiência; beneficiários cadastrados no Cadastro Único para Programas Sociais; famílias com maior número de crianças em idade escolar; domicílios localizados em comunidades quilombolas homologadas; e beneficiários negros ou pardos.
Antes do recolhimento das assinaturas, uma equipe técnica da Secretaria Municipal de Agricultura (Semagri), em parceria com a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), realizou visitas aos povoados contemplados para mapear e verificar se cumpriam os requisitos necessários listados pela Funasa, sendo eles: residências localizadas em comunidades rurais; comunidade não deve contar com sistema de abastecimento de água; beneficiário não pode ter recebido ou estar inscrito em outro programa de implantação de cisterna; deve residir integralmente na zona rural, e não apenas aos finais de semana; deve apresentar comprovação de residência; o domicílio do beneficiário não pode estar em reforma estrutural ou em construção; somente poderão ser previstas as construções das cisternas em domicílios habitados e desprovidos das mesmas; o domicílio deve apresentar telhado em condições adequadas para coletar a água da chuva; e o terreno do domicílio deve conter área suficiente para a disposição e instalação da cisterna.
O secretário municipal de Agricultura, Luciano Júnior, destaca os próximos passos após a coleta das assinaturas. “O cadastramento é uma etapa fundamental para garantir que as famílias rurais possam ser contempladas com as cisternas. Ao todo, serão 43 unidades destinadas a comunidades que mais precisam, priorizando áreas com maior vulnerabilidade hídrica. As equipes da Secretaria [Municipal] de Agricultura estão mobilizadas para orientar os moradores sobre a documentação necessária. Após a entrega dos documentos, a Funasa terá até 30 dias para analisar os cadastros e divulgar a lista dos contemplados. Essa é uma ação importante que reforça o compromisso da gestão municipal com a melhoria das condições de vida no meio rural”, destacou o secretário.
Dignidade e qualidade de vida
Dona Mariana do Espírito Santo, 78 anos, moradora do povoado Saco Redondo, aguarda ansiosamente pela sua primeira cisterna, que irá garantir acesso fácil à água potável. “Estou muito feliz, vou ganhar meu tanque e não vou mais precisar pegar água no tanque dos outros. Eu sou idosa e não consigo mais caminhar para longe. Tendo o meu tanque pertinho, para mim é melhor. Hoje, pego água no tanque da minha filha, mas, no verão, preciso ir pegar no rio. Quando não aguento carregar os baldes, minha filha carrega para mim, porque minha coluna é desviada e não aguento muito peso. Agora, isso vai acabar, se Deus quiser”, disse.
A dona de casa Maria José dos Santos, 46 anos, relata as dificuldades para desenvolver tarefas simples do dia a dia por conta da falta de água.“É muita dificuldade. Se eu quiser tomar água, tenho que me deslocar até a casa do meu pai para conseguir. Para tomar banho, preciso pegar água em um tanque de barro que tem aqui próximo. Trabalho dentro da minha casa, não posso sair para trabalhar porque tenho a coluna travada. Para fazer as atividades dentro de casa é muito difícil mesmo, preciso esperar pelos outros, porque, nessa situação que estou, não consigo carregar água. Quando soube da possibilidade de ganhar uma cisterna, fiquei muito feliz e peço a Jesus que realize esse sonho. Vai ser o meu presente de aniversário deste ano”, pontua.
A dona de casa Marlene dos Santos, 41 anos, também é uma das contempladas para participar do processo, por cumprir os requisitos necessários. “No verão é muito sofrimento. Tenho dois filhos pequenos e preciso ir até os tanques dos vizinhos para pedir água. Tem vizinho que aceita, mas tem vizinho que fica com problema, e eu fico com vergonha de pedir novamente. Quando soube que poderia ganhar a minha própria cisterna, senti muita felicidade, porque, sem a cisterna, preciso dar muitas viagens para conseguir trazer a quantidade de água suficiente para fazer a limpeza da casa e tomar banho”, enfatiza.