Filha artística de Lagarto, Simone Fernandes Santana cresceu em meio aos acordes que ecoavam na casa da avó, onde o tio mantinha uma pequena escola de violão. Entre primos músicos e encontros familiares cheios de música, nasceu o amor que definiria seu destino.
Ainda criança, a afinidade já se manifestava de forma espontânea. Na escola, quando a professora se ausentava por alguns minutos, Simone fechava a porta da sala, reunia os colegas e organizava o próprio show. E o que era motivo de advertência se transformou na confirmação de um destino que só se fortalecia com o tempo.
Aos 16 anos, veio o convite que mudaria sua vida. Em 1996, Floriano, da banda Saco de Estopa, abriu as portas para o início oficial de sua carreira. A partir dali, Simone percorreu uma trajetória consistente, passando por grupos como Ponto Final, em Itabaiana, e bandas de Campo do Brito, além de integrar projetos em Lagarto como Pegada Quente, Beijo Gelado e Destaque Musical. Hoje, há quase cinco anos, segue em carreira solo, imprimindo sua identidade artística e deixando registrado o nome de Lagarto por onde passa.
Seu foco musical é definido com convicção: Forró das antigas. Influenciada por vozes marcantes como Kátia Cilene e Walkyria Santos, eternizada na banda Magníficos, Simone construiu um repertório que dialoga também com o brega e o arrocha, mas mantém no forró sua raiz e paixão maior. Para ela, cantar vai muito além da profissão. “A música é vida, é alegria, é alma. Me sinto realizada quando estou no palco. É nesse espaço que encontro sentido, conexão com o público e a certeza de que nasci para a arte”, disse.
Após mais de duas décadas de estrada, Simone enfrentou o momento mais delicado de sua trajetória. De forma repentina, sua voz começou a falhar. “Imagine você amar cantar e se ver num momento em que sua voz começa a falhar. Foram diversos diagnósticos imprecisos, e períodos de inseguranças e de medo de não poder mais exercer o ofício que sempre foi minha extensão”, recordou.
O diagnóstico de disfonia espasmódica trouxe respostas, mas também exigiu coragem. Segundo Simone, “foram sete meses quase sem conseguir falar e um ano e meio afastada dos palcos. O tratamento incluiu aplicação de toxina nas cordas vocais e acompanhamento para ansiedade. E eu me vi desesperada, chorei muito, pois foi um período que coincidiu com programações juninas, inclusive, o tradicional Festival da Mandioca, que é um dos eventos que celebram a identidade cultural lagartense”, pontuou.
A fé tornou-se abrigo e força para a artista cuja recuperação foi vivida como um verdadeiro renascimento. “Me apeguei muito a Deus, à minha Nossa Senhora Aparecida, à oração da minha mãe. “Hoje eu digo todos os dias que estou curada, e cada apresentação que faço tem um significado ainda mais profundo: vitória, superação e amor renovado pela música”, afirmou agradecida.
Reconhecida nas ruas como ‘cantora Simone’ ou ‘Simone Saco de Estopa’, a cantora recebe cada cumprimento como confirmação de que persistir valeu a pena. Sua trajetória inspira novos talentos e dialoga com o compromisso e o incentivo à cultura promovidos pela gestão municipal, que valoriza a arte como um instrumento de transformação social e fortalecimento da identidade local.
Em Lagarto, histórias como a de Simone Fernandes mostram que investir na cultura é também investir em pessoas. A artista segue cantando, com a mesma paixão da menina que fechava a porta da sala de aula para fazer seu primeiro show. “Não desista. Se você ama música, persista, faça aula de canto, cuide da sua voz”, aconselha.

